Fora de prumo F! #6. Sustentabilidade. Parte 2: da colmeia à geodésica

Após passar uma hora discutindo sobre sustentabilidade e arquitetura no episódio passado, finalmente chegamos na parte da arquitetura.

Na edição F! #5 do Fora de prumo começamos uma conversa sobre as várias dimensões da ideia de sustentabilidade. Apontamos abordagens que a tomam de uma perspectiva positiva, de uma perspectiva negativa e crítica. Falamos sobre ecossocialismo, cosmopolítica, desenvolvimento sustentável, entre outros assuntos. Neste episódio conversamos sobre a problemática da sustentabilidade e dos vários discursos associados a ela no universo da arquitetura: qual o impacto de edifícios e cidades no consumo de recursos naturais? Qua experiências já se promoveram a fim de atacar os problemas ligados à ecologia, às mudanças climáticas e o uso racional de recursos no mundo da arquitetura? Neste episódio falamos de ilhas, abelhas, maçãs, colmeias, geodésicas e fossas.

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F! #5b. DROPS: Educação à distância

Qual é a distância segura a se manter de um professor para não ser influenciado por ele?

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) anunciou recentemente que não aceitará o registro profissional de bacharéis em Arquitetura e Urbanismo cujos diplomas tenham sido obtidos em cursos oferecidos na forma de educação à distância (EaD). Nesse drops discutimos as potencialidades e os limites dessa e de outras formas de ensino e formação profissional: qual o papel do espaço de ensino na construção de valores de tolerância, alteridade e empatia nos futuros arquitetos? De que forma conciliar processos de pesquisa e de extensão universitária em cursos oferecidos à distância? E, finalmente: é preciso se formar em uma faculdade para exercer a profissão?

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Dicionário F! #5. Natureza

na•tu•re•za (substantivo feminino). 1. É uma longa história (sério, em todos os sentidos). 2. Raymond Williams, em sua famosa obra Palavras-chave, considera “natureza” uma das “duas ou três palavras mais difíceis da língua” (no caso, trata-se do inglês, mas vale também para as outras). 3. Diz-se do conjunto de coisas que compõem o mundo natural. Desde meados do século XVII trata-se de um mundo separado do ser humano, ainda que descrito e criado por ele no ambiente controlado do laboratório. 4. A natureza é protagonista de discursos políticos (como os ligados ao assim chamado “ambientalismo”) que alertam para sua proteção em uma era (o “antropoceno”) em que o ser humano tem se revelado um grandessíssimo miserável por destrui-la. Mas essa mesma natureza é também responsável por despolitizar esses mesmos discursos ao se apresentar como elemento exterior ao ser humano e portanto legitimadora e “naturalizadora” de sua própria proteção. 5. Ao se apresentar como exterior ao ser humano, essa mesma natureza ignora outras naturezas ou “culturas-naturezas”. Como a dos atîkus, por exemplo. 6. Nós avisamos de que se trata de uma longa história.

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Fora de prumo F! #5. Sustentabilidade. Parte I: A queda de atîku

O verde é a cor da natureza, do dinheiro ou de uma bela dor de barriga?

Nos últimos 30 anos o discurso da sustentabilidade vem sendo apresentado, ora com maior intensidade e em espaços hegemônicos, ora de forma mais marginal, como quase uma panaceia para a solução da grave crise ecológica que o ser humano vem enfrentando no planeta que o destino escolheu para ele habitar. “Ser sustentável” se transformou num imperativo quase inquestionável: o verde, afinal, é a cor das florestas que devem ser protegidas, é a cor-símbolo da ecologia e do ambientalismo e é, oportunamente, também a cor do dinheiro e das esmeraldas. Do que se trata afinal o discurso da sustentabilidade? É uma falácia ideológica que mascara a destruição ambiental inerente ao desenvolvimento capitalista ou é uma alternativa inescapável ao crescimento irresponsável de nossos dois últimos séculos? De que forma produtos, mercadorias, objetos, arquiteturas e cidades lidam com essa temática?

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F! #4b. DROPS: Grafite vs. Prefeitop

“Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza, só ficou no muro, tristeza e tinta fresca.”

(Marisa Monte, Gentileza)

Em fevereiro de 2019 o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou a Prefeitura da capital e o seu ex-prefeito João Dória a pagarem uma indenização em função da remoção dos grafites e das pinturas murais localizadas no eixo da avenida 23 de Maio, uma das principais artérias viárias da cidade, que conecta o Centro de São Paulo à Zona Sul. Na sentença do juiz Adriano Laroca o apagamento das pinturas foi considerado uma agressão ao patrimônio cultural da cidade de São Paulo — e em particular à prática do grafite, que foi considerada pela magistrado uma forma de patrimônio imaterial do município. De fato, o grafite e outras artes urbanas podem ser consideradas “portadoras de referência à identidade, memória e ação” de grupos formadores da sociedade brasileira, conforme prega o artigo 216 da Constituição Federal, qualificando-as como bem cultural. A sentença se revela excepcionalmente progressista, no entanto, por apontar inclusive a omissão da prefeitura e de seus órgãos de preservação do patrimônio em reconhecer tal patrimônio e em fiscalizar sua salvaguarda. Em função do episódio, conversamos sobre as artes urbanas, as expressões de diferentes grupos no cotidiano da cidade, as políticas de reconhecimento de bens culturais e seus limites e desafios.

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