F! #5b. DROPS: Educação à distância

Qual é a distância segura a se manter de um professor para não ser influenciado por ele?

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) anunciou recentemente que não aceitará o registro profissional de bacharéis em Arquitetura e Urbanismo cujos diplomas tenham sido obtidos em cursos oferecidos na forma de educação à distância (EaD). Nesse drops discutimos as potencialidades e os limites dessa e de outras formas de ensino e formação profissional: qual o papel do espaço de ensino na construção de valores de tolerância, alteridade e empatia nos futuros arquitetos? De que forma conciliar processos de pesquisa e de extensão universitária em cursos oferecidos à distância? E, finalmente: é preciso se formar em uma faculdade para exercer a profissão?

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Dicionário F! #5. Natureza

na•tu•re•za (substantivo feminino). 1. É uma longa história (sério, em todos os sentidos). 2. Raymond Williams, em sua famosa obra Palavras-chave, considera “natureza” uma das “duas ou três palavras mais difíceis da língua” (no caso, trata-se do inglês, mas vale também para as outras). 3. Diz-se do conjunto de coisas que compõem o mundo natural. Desde meados do século XVII trata-se de um mundo separado do ser humano, ainda que descrito e criado por ele no ambiente controlado do laboratório. 4. A natureza é protagonista de discursos políticos (como os ligados ao assim chamado “ambientalismo”) que alertam para sua proteção em uma era (o “antropoceno”) em que o ser humano tem se revelado um grandessíssimo miserável por destrui-la. Mas essa mesma natureza é também responsável por despolitizar esses mesmos discursos ao se apresentar como elemento exterior ao ser humano e portanto legitimadora e “naturalizadora” de sua própria proteção. 5. Ao se apresentar como exterior ao ser humano, essa mesma natureza ignora outras naturezas ou “culturas-naturezas”. Como a dos atîkus, por exemplo. 6. Nós avisamos de que se trata de uma longa história.

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Fora de prumo F! #5. Sustentabilidade. Parte I: A queda de atîku

O verde é a cor da natureza, do dinheiro ou de uma bela dor de barriga?

Nos últimos 30 anos o discurso da sustentabilidade vem sendo apresentado, ora com maior intensidade e em espaços hegemônicos, ora de forma mais marginal, como quase uma panaceia para a solução da grave crise ecológica que o ser humano vem enfrentando no planeta que o destino escolheu para ele habitar. “Ser sustentável” se transformou num imperativo quase inquestionável: o verde, afinal, é a cor das florestas que devem ser protegidas, é a cor-símbolo da ecologia e do ambientalismo e é, oportunamente, também a cor do dinheiro e das esmeraldas. Do que se trata afinal o discurso da sustentabilidade? É uma falácia ideológica que mascara a destruição ambiental inerente ao desenvolvimento capitalista ou é uma alternativa inescapável ao crescimento irresponsável de nossos dois últimos séculos? De que forma produtos, mercadorias, objetos, arquiteturas e cidades lidam com essa temática?

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F! #4b. DROPS: Grafite vs. Prefeitop

“Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza, só ficou no muro, tristeza e tinta fresca.”

(Marisa Monte, Gentileza)

Em fevereiro de 2019 o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou a Prefeitura da capital e o seu ex-prefeito João Dória a pagarem uma indenização em função da remoção dos grafites e das pinturas murais localizadas no eixo da avenida 23 de Maio, uma das principais artérias viárias da cidade, que conecta o Centro de São Paulo à Zona Sul. Na sentença do juiz Adriano Laroca o apagamento das pinturas foi considerado uma agressão ao patrimônio cultural da cidade de São Paulo — e em particular à prática do grafite, que foi considerada pela magistrado uma forma de patrimônio imaterial do município. De fato, o grafite e outras artes urbanas podem ser consideradas “portadoras de referência à identidade, memória e ação” de grupos formadores da sociedade brasileira, conforme prega o artigo 216 da Constituição Federal, qualificando-as como bem cultural. A sentença se revela excepcionalmente progressista, no entanto, por apontar inclusive a omissão da prefeitura e de seus órgãos de preservação do patrimônio em reconhecer tal patrimônio e em fiscalizar sua salvaguarda. Em função do episódio, conversamos sobre as artes urbanas, as expressões de diferentes grupos no cotidiano da cidade, as políticas de reconhecimento de bens culturais e seus limites e desafios.

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Dicionário F! #4. Família

fa•mí•lia (substantivo feminino). 1. Agrupamento de indivíduos reunidos tradicionalmente por algum grau de parentesco ou pelo desejo de partilhar vidas em comum, acarretando algum grau de intimidade ou domesticidade em suas relações. 2. Por extensão, trata-se também de designação comum dada a conjuntos de elementos reunidos por partilharem características comuns ou convergentes, como em “família tipográfica” ou “família de componentes”. 3. Famílias podem ser formadas por casais, trisais ou por relações de poliamor, envolvendo indivíduos homo ou heterossexuais, cis ou trans, reunindo filhos, netos, bisnetos, agregados e até mesmo animais não humanos de estimação. Normalmente essas pessoas assumem relações de familiaridade porque elas simplesmente se gostam. E ninguém tem nada a ver com isso. 4. Sugere-se cuidado e cautela apenas quando ao substantivo “família” se acrescentam as perigosas “tradição” e “propriedade”. Neste caso, não se aproxime. Sério: faz mal à saúde e pode causar ditaduras que duram 21 anos.

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