F! #2b. DROPS: A•na•ti•da•e•fo•bi•a

Seguindo nossa conversa do episódio anterior, tentamos desbravar a selva das funções simbólicas em arquitetura, urbanismo e design.

Continuando a conversa iniciada no episódio F! #2 do Fora de prumo, neste programa falamos sobre a famosa tese do casal Robert Venturi e Denise Scott-Brown de que as arquiteturas podem ser divididas em dois grandes grupos: de um lado, as arquiteturas-pato, de outro, os galpões decorados. Drops sobre design que deu errado, design que deu certo mas deu errado, design que nem queria dar certo e a semântica na arquitetura.

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Miniconto F! #2

A grana hoje mora nesses prédios de vidro.
Quem teve essa ideia tava com o que na cabeça?
Um diamante? O sapatinho da Cinderela?

O reflexo ao sol oprime
não só olhos, também a clareza
da mente que se recusa a aceitar que é assim que funciona.

Como deve ser lá dentro?
Gravatas e saltos maximizando lucros.
E é só? Pra isso que serve essa bijuteria?

Uma vidraça se estilhaça.
Foi uma pedra.
Eu a arremessei?

Texto escrito por Angelo Regis em fevereiro de 2019 e lido no episódio F! #2 do Fora de prumo.

Dicionário F! #2. Usuário

u•su•á•rio. (Substantivo masculino. Feminino: usuária.) 1. Não, não se trata de alguém que faz uso de substâncias entorpecentes (aliás: nada contra, pelo contrário). 2. Aquele que faz uso de algo (e ai! de quem chamá-lo de “cliente” ou “cidadão” — mas no final parece que dá no mesmo). 3. A partir de meados do século XX trata-se do objeto preferencial do discurso supostamente consciente de arquitetos e designers: o usuário é uma abstração ahistórica, sem classe, sem cor, sem etnia, sem gênero. 4. Sabe-se lá como, contudo, é dessa abstração que durante muito tempo se extraíram supostos requisitos de desempenho para o desenvolvimento de projetos.

Para saber mais sobre o papel do usuário e da função no debate sobre arquitetura e design, ouça o episódio F! #2 do Fora de prumo.

Imagem: Optical Spy, 2014.

Fora de prumo F! #2. Funcional, não funcional, além do funcional

A arquitetura precisa funcionar, disfuncionar ou algo além de funcionar?

No fim do século XIX o arquiteto Louis Sullivan, tradicionalmente associado à Escola de Chicago, cunhou a expressão “a forma segue a função”. Desde então, o lema se transformou em grito de guerra para uma ética do projeto de pretensões modernizadoras e totalizantes. Anos mais tarde Adolf Loos associaria todo ornamento ao delito (“A evolução da cultura caminha junto com a eliminação do ornamento dos objetos úteis”) e o clássico Mies van der Rohe diria que “menos é mais”. Já nos anos 60, contudo, jovens arquitetos respondiam à sugestão de que “less is more” com “less is a bore”: o casal Venturi e Scott Brown, em particular, explorava aspectos semióticos dos edifícios que contradiziam as supostas associações entre forma e função. Mais de um século após Sullivan, esse debate ainda faz sentido?

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F! #1b. DROPS: Maquetes, máquinas e magnatas

Tentamos responder a uma mensagem da nossa amiga Letícia, mas falhamos miseravelmente.

Deveríamos ter respondido a um comentário sobre o papel dos modelos na solução de problemas arquitetônicos, mas acabamos falando sobre robôs, reforma trabalhista, Elon Musk e a possibilidade de implantarmos o fully automated space gay luxury communism.

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Miniconto F! #1

São Paulo, Perdizes, condomínio de apartamentos. O jardim impressiona pelo paisagismo. Há uma “piscina” de carpas.

Por que uma “piscina” de carpas? Estética, apenas? Demonstração de poder? Opulência? Qual o sentido da piscina de carpas? Me faz pensar no divórcio ser humano–natureza. E a arquitetura é só mais um fator nesse divórcio. O espaço precisa ser humanizado.

Por isso carpas e plantas devem estar confinadas, dominadas.


Miniconto escrito por Angelo Regis em fevereiro de 2019 e lido no episódio F! #1 do Fora de prumo.

Dicionário F! #1. Filippo Brunelleschi

Filippo Brunelleschi (Florença, 1377 – Florença, 1446). O responsável pela porra toda. O homem, o mito, a lenda. Brunelleschi é tradicionalmente considerado o marco inicial da moderna concepção de arquitetura: obra feita por um autor demiúrgico executada por operários cada vez mais distantes de suas origens artesanais a partir de um desenho que serve como ordem de serviço. Vasari, em Vidas dos Artistas, chamava Brunelleschi carinhosamente de Pippo — ainda que aquele tenha nascido muitos anos depois da morte deste, o que torna a aparente amizade muito estranha.

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