Dicionário F! #2B. Anatidaefobia

A•na•ti•da•e•fo•bi•a. (substantivo feminino) 1. Patologia associada ao medo de patos. Patos aqui, patos acolá, sobretudo patos gigantes estacionados em rodovias de beira de estrada onde se vendem ovos de pato. 2. Condição verificável sobretudo em arquitetos que nutrem especial atenção por galpões decorados e particular aversão a pinguins de geladeira. 3. A condição diametralmente oposta é a anatidaefilia, uma parafilia sexual caracterizada pela extrapolação da libido quando em contato com patos. A anatidaefilia se verificou com particular intensidade entre 2015 e 2016 em indivíduos irracionalmente enfurecidos vestindo trajes verde e amarelos reunidos na Avenida Paulista ao som de Alexandre Frota e Olavo de Carvalho.

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F! #2b. DROPS: A•na•ti•da•e•fo•bi•a

Seguindo nossa conversa do episódio anterior, tentamos desbravar a selva das funções simbólicas em arquitetura, urbanismo e design.

Continuando a conversa iniciada no episódio F! #2 do Fora de prumo, neste programa falamos sobre a famosa tese do casal Robert Venturi e Denise Scott-Brown de que as arquiteturas podem ser divididas em dois grandes grupos: de um lado, as arquiteturas-pato, de outro, os galpões decorados. Drops sobre design que deu errado, design que deu certo mas deu errado, design que nem queria dar certo e a semântica na arquitetura.

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Miniconto F! #2

A grana hoje mora nesses prédios de vidro.
Quem teve essa ideia tava com o que na cabeça?
Um diamante? O sapatinho da Cinderela?

O reflexo ao sol oprime
não só olhos, também a clareza
da mente que se recusa a aceitar que é assim que funciona.

Como deve ser lá dentro?
Gravatas e saltos maximizando lucros.
E é só? Pra isso que serve essa bijuteria?

Uma vidraça se estilhaça.
Foi uma pedra.
Eu a arremessei?

Texto escrito por Angelo Regis em fevereiro de 2019 e lido no episódio F! #2 do Fora de prumo.

Dicionário F! #2. Usuário

u•su•á•rio. (Substantivo masculino. Feminino: usuária.) 1. Não, não se trata de alguém que faz uso de substâncias entorpecentes (aliás: nada contra, pelo contrário). 2. Aquele que faz uso de algo (e ai! de quem chamá-lo de “cliente” ou “cidadão” — mas no final parece que dá no mesmo). 3. A partir de meados do século XX trata-se do objeto preferencial do discurso supostamente consciente de arquitetos e designers: o usuário é uma abstração ahistórica, sem classe, sem cor, sem etnia, sem gênero. 4. Sabe-se lá como, contudo, é dessa abstração que durante muito tempo se extraíram supostos requisitos de desempenho para o desenvolvimento de projetos.

Para saber mais sobre o papel do usuário e da função no debate sobre arquitetura e design, ouça o episódio F! #2 do Fora de prumo.

Imagem: Optical Spy, 2014.

Fora de prumo F! #2. Funcional, não funcional, além do funcional

A arquitetura precisa funcionar, disfuncionar ou algo além de funcionar?

No fim do século XIX o arquiteto Louis Sullivan, tradicionalmente associado à Escola de Chicago, cunhou a expressão “a forma segue a função”. Desde então, o lema se transformou em grito de guerra para uma ética do projeto de pretensões modernizadoras e totalizantes. Anos mais tarde Adolf Loos associaria todo ornamento ao delito (“A evolução da cultura caminha junto com a eliminação do ornamento dos objetos úteis”) e o clássico Mies van der Rohe diria que “menos é mais”. Já nos anos 60, contudo, jovens arquitetos respondiam à sugestão de que “less is more” com “less is a bore”: o casal Venturi e Scott Brown, em particular, explorava aspectos semióticos dos edifícios que contradiziam as supostas associações entre forma e função. Mais de um século após Sullivan, esse debate ainda faz sentido?

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F! #1b. DROPS: Maquetes, máquinas e magnatas

Tentamos responder a uma mensagem da nossa amiga Letícia, mas falhamos miseravelmente.

Deveríamos ter respondido a um comentário sobre o papel dos modelos na solução de problemas arquitetônicos, mas acabamos falando sobre robôs, reforma trabalhista, Elon Musk e a possibilidade de implantarmos o fully automated space gay luxury communism.

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Miniconto F! #1

São Paulo, Perdizes, condomínio de apartamentos. O jardim impressiona pelo paisagismo. Há uma “piscina” de carpas.

Por que uma “piscina” de carpas? Estética, apenas? Demonstração de poder? Opulência? Qual o sentido da piscina de carpas? Me faz pensar no divórcio ser humano–natureza. E a arquitetura é só mais um fator nesse divórcio. O espaço precisa ser humanizado.

Por isso carpas e plantas devem estar confinadas, dominadas.


Miniconto escrito por Angelo Regis em fevereiro de 2019 e lido no episódio F! #1 do Fora de prumo.