F! #3. Heróis ou ameaças?

Fora de prumo F! #3. Heróis ou ameaças?

A arquitetura, o urbanismo e o design ajudam a promover mudanças sociais?

Em 1926 o arquiteto Le Corbusier lançava uma pergunta ao mundo: “Arquitetura ou revolução?” Sua resposta (“arquitetura”, naturalmente) sugeria que os efeitos da prática da disciplina no meio social contribuiriam para esforços de reforma social e política. Neste caso, sem recorrer à revolução, os arquitetos contribuiriam à formulação de uma nova ordem social atuando diretamente no projeto de novos espaços, produtos e cidades. O mestre franco-suíço explicitava seu posicionamento político (afeito à ordem e contrário a rupturas radicais) e a dimensão ideológica de sua arquitetura. Por outro lado, anos mais tarde, a geração de arquitetos liderada por Vilanova Artigas no Brasil bradava pela discussão da função social da arquitetura, colaborando para a construção de um espírito social mais progressista e eventualmente até revolucionário. Na França, seus contemporâneos ligados ao situacionismo, contudo, desconfiavam do papel ideológico da arquitetura e negavam qualquer possibilidade de transformação pela via da produção arquitetônica. Independente da vertente política e teórica, contudo, o tema da “função social da arquitetura” (ou do design e do urbanismo) foi recorrente ao longo do século XX. Que efeitos essa discussão tem hoje? Qual seu legado? As práticas projetuais, afinal, são ameaças ou oportunidades de transformação?

OUÇA AQUI!

Sumário

  • 1min21s. Preâmbulo
  • 4min35s. Conversa.
  • 56min40s. Em tese.

Participantes

Participaram deste episódio Arthur Francisco, Nico Antonio, Gabriel Fernandes e Letícia Preturlan. Narração e inserções de Carolina Pedroso e crônica de autoria de Angelo Regis.

Na seção Em tese contamos com a entrevista de Nayara Benatti, na qual ela fala de sua dissertação de mestrado intitulada Redes e ruas — Ocupações híbridas na cidade de São Paulo.

Complementos

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  • Ao longo do episódio revisitamos o velho Manfredo Tafuri e seu clássico ensaio “Por uma crítica à ideologia da arquitetura”, de 1969. Uma versão em inglês do texto pode ser encontrada aqui. Alguns anos depois Tafuri publicou o livro Projeto e utopia, no qual expande e atualiza o ensaio. O livro nunca foi publicado no Brasil, mas possui uma edição portuguesa que pode ser encontrada em bibliotecas universitárias. Além disso, seu capítulo final foi publicado na coletânea Uma nova agenda para a arquitetura, organizada por Kate Nesbitt e publicada no Brasil pela Cosac Naify em 2006 (esta edição infelizmente também se encontra esgotada, podendo ser igualmente encontrada em bibliotecas universitárias).
  • Comentamos a respeito de uma leitura sobre o ensaio de Tafuri desenvolvida pelo pesquisador Tilo Amhoff. O artigo está disponível aqui.
  • Mais informações sobre a Cidade de Deus: artigos na Wikipédia sobre o bairro, sobre o livro de Paulo Lins e sobre o filme dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund. Além disso, veja essas matérias: “O que há por trás da origem da CDD”; o relato da moradora Rosalina Brito “A verdadeira história e como surgiu a Cidade de Deus” e essa notícia sobre os 50 anos da “pior enchente do Rio de Janeiro”.
  • Trabalho sobre o projeto Cingapura, desenvolvido em São Paulo durante a gestão de Paulo Maluf na prefeitura [PDF].
  • Material no Archdaily sobre o Conjunto Residencial Mendes de Moraes — mais conhecido como Pedregulho —, de autoria de Affonso Eduardo Reidy.
  • Quadrinho de Stuart McMillen sobre a presença das distopias de Orwell e Huxley no mundo contemporâneo: Amusing Ourselves to Death.
  • Já existe uma longa tradição de cooperação entre arquitetos e movimentos de moradia e ocupação de imóveis ociosos em São Paulo, particularmente no trabalho das chamadas “assessorias técnicas”. O documentário Capacetes coloridos, de 2007, dirigido por Paula Constante, registra um pouco desse trabalho. Comentamos também a respeito de um projeto promovido por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e da Escola Politécnica da USP em parceria com os moradores da Ocupação Mauá, localizada no centro de São Paulo. Um registro desse trabalho se encontra nesse blog: Projeto Mauá, 340.
  • Na seção Em tese conversamos com Nayara Benatti sobre sua dissertação de mestrado (Redes e ruas — ocupações híbridas na cidade de São Paulo). O trabalho se vincula às pesquisas desenvolvidas no Núcleo de Estudos das Espacialidades Contemporâneas do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (IAU-USP).

Trilha sonora

Ouça também nossa playlist no Spotify com todas as músicas já tocadas no Fora de prumo.

#foradeprumoacessível

Vista aérea de um loteamento recém-construído, repleto de ruas, casinhas e outros tipos de construção. A fotografia está sob uma camada de cor vermelha. No canto inferior esquerdo, a marcação “F! 03”.

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Publicado por

gabriel fernandes

Para imagens: flickr.com/gaf Para textões: arquiteturaemnotas.com

2 comentários em “Fora de prumo F! #3. Heróis ou ameaças?”

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