Dicionário F! #2. Usuário

u•su•á•rio. (Substantivo masculino. Feminino: usuária.) 1. Não, não se trata de alguém que faz uso de substâncias entorpecentes (aliás: nada contra, pelo contrário). 2. Aquele que faz uso de algo (e ai! de quem chamá-lo de “cliente” ou “cidadão” — mas no final parece que dá no mesmo). 3. A partir de meados do século XX trata-se do objeto preferencial do discurso supostamente consciente de arquitetos e designers: o usuário é uma abstração ahistórica, sem classe, sem cor, sem etnia, sem gênero. 4. Sabe-se lá como, contudo, é dessa abstração que durante muito tempo se extraíram supostos requisitos de desempenho para o desenvolvimento de projetos.

Para saber mais sobre o papel do usuário e da função no debate sobre arquitetura e design, ouça o episódio F! #2 do Fora de prumo.

Imagem: Optical Spy, 2014.

Fora de prumo F! #2. Funcional, não funcional, além do funcional

A arquitetura precisa funcionar, disfuncionar ou algo além de funcionar?

No fim do século XIX o arquiteto Louis Sullivan, tradicionalmente associado à Escola de Chicago, cunhou a expressão “a forma segue a função”. Desde então, o lema se transformou em grito de guerra para uma ética do projeto de pretensões modernizadoras e totalizantes. Anos mais tarde Adolf Loos associaria todo ornamento ao delito (“A evolução da cultura caminha junto com a eliminação do ornamento dos objetos úteis”) e o clássico Mies van der Rohe diria que “menos é mais”. Já nos anos 60, contudo, jovens arquitetos respondiam à sugestão de que “less is more” com “less is a bore”: o casal Venturi e Scott Brown, em particular, explorava aspectos semióticos dos edifícios que contradiziam as supostas associações entre forma e função. Mais de um século após Sullivan, esse debate ainda faz sentido?

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