Fora de prumo F! #4. Família tradicional brasileira

Existe uma tradicional família brasileira? E o que a varanda gourmet tem a ver com ela?

O mercado imobiliário tem papel central na definição de como as pessoas moram — ainda que o morar cotidiano tente encontrar brechas nos algoritmos definidos pelas incorporadoras para ficar um pouquinho mais longe das planilhas de Excel e um pouco mais perto da vida real. Varandas gourmet, espaços para garage band, spas e salas de ginástica que ninguém usa: na produção residencial para a classe média e as elites, são muitas as artimanhas do mercado para convencer as pessoas a pagarem cada vez mais por menos. Será que é assim que a arquitetura de mercado aplica o velho chavão “menos é mais”?

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Fora de prumo F! #3. Heróis ou ameaças?

A arquitetura, o urbanismo e o design ajudam a promover mudanças sociais?

Em 1926 o arquiteto Le Corbusier lançava uma pergunta ao mundo: “Arquitetura ou revolução?” Sua resposta (“arquitetura”, naturalmente) sugeria que os efeitos da prática da disciplina no meio social contribuiriam para esforços de reforma social e política. Neste caso, sem recorrer à revolução, os arquitetos contribuiriam à formulação de uma nova ordem social atuando diretamente no projeto de novos espaços, produtos e cidades. O mestre franco-suíço explicitava seu posicionamento político (afeito à ordem e contrário a rupturas radicais) e a dimensão ideológica de sua arquitetura. Por outro lado, anos mais tarde, a geração de arquitetos liderada por Vilanova Artigas no Brasil bradava pela discussão da função social da arquitetura, colaborando para a construção de um espírito social mais progressista e eventualmente até revolucionário. Na França, seus contemporâneos ligados ao situacionismo, contudo, desconfiavam do papel ideológico da arquitetura e negavam qualquer possibilidade de transformação pela via da produção arquitetônica. Independente da vertente política e teórica, contudo, o tema da “função social da arquitetura” (ou do design e do urbanismo) foi recorrente ao longo do século XX. Que efeitos essa discussão tem hoje? Qual seu legado? As práticas projetuais, afinal, são ameaças ou oportunidades de transformação?

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Fora de prumo F! #2. Funcional, não funcional, além do funcional

A arquitetura precisa funcionar, disfuncionar ou algo além de funcionar?

No fim do século XIX o arquiteto Louis Sullivan, tradicionalmente associado à Escola de Chicago, cunhou a expressão “a forma segue a função”. Desde então, o lema se transformou em grito de guerra para uma ética do projeto de pretensões modernizadoras e totalizantes. Anos mais tarde Adolf Loos associaria todo ornamento ao delito (“A evolução da cultura caminha junto com a eliminação do ornamento dos objetos úteis”) e o clássico Mies van der Rohe diria que “menos é mais”. Já nos anos 60, contudo, jovens arquitetos respondiam à sugestão de que “less is more” com “less is a bore”: o casal Venturi e Scott Brown, em particular, explorava aspectos semióticos dos edifícios que contradiziam as supostas associações entre forma e função. Mais de um século após Sullivan, esse debate ainda faz sentido?

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Fora de prumo F! #1. A maldição de Brunelleschi

Como o papel desse arquiteto na construção da Basílica de Florença impacta a profissão até hoje?

Filippo Brunelleschi é considerado o pai da moderna concepção de arquitetura: sua obra simboliza um momento de inflexão na prática arquitetônica, sedimentando a figura de um criador individual cujo desenho comanda o trabalho dos construtores. Além disso, também sedimenta a representação do arquiteto como gênio individual, criador absoluto e total da obra arquitetônica. Que efeitos essa mobilização de sua figura ainda influenciam a prática contemporânea? O arquiteto ainda é esse gênio individual, acima do bem e do mal? E, afinal, Brunelleschi seria o primeiro starchitect da história?

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